Assisti três filmes bons. Cortei meu cabelo e quiseram fazer minha sobrancelha. Troquei os pedais de minha bicicleta e peguei muita chuva na saída do Museu da República. Ri sozinho por estar no cinema assistindo algo e sorri mais ainda quando sai da minha primeira sessão e vi uma mesa com velhinhos e velhinhas tocando chorinho. Estava realmente feliz e tinha um sorriso no rosto. E a velhinha que olhou pra mim deve ter percebido e sorriu de volta.
Aluguei quatro filmes e andei na bicicleta com pedais novos. Deixei meu celular pra consertarem e passei no banco. Fiquei feliz com o corte de cabelo e paguei 15 reais, mais caro do que eu nunca paguei em toda a minha vida por um corte de cabelo.
Comecei a assistir o primeiro filme, mas estava cansado e dormi. Acordei duas horas depois, comi pipoca e bebi Pepsi assistindo Indiana Jones e os Caçadores da Arca Perdida. Fiz carinho na minha gata ouvindo música nas minhas caixas de som novas. Comprei ração pra tal gata e quase bati na traseira de um ônibus andando de bicicleta. Ele freou brusco. Eu ouvia rádio distraído.
E no final de tudo eu não pude te contar isso tudo. Não liguei pois não tinha nada de “realmente importante” pra usar como desculpa e você não estava na Internet, aonde todo mundo se encontra “por acaso. E também não pude saber nada do isso tudo seu. Não sei por exemplo aonde você está nesse exato momento como você também não sabe aonde eu estou. Não sei se você terminou aquele trabalho ou o que você fez depois do trabalho. E nem posso reclamar por isso. No final não pude dizer que Deixe Ela Entrar é um filme maravilhoso e ainda por cima um filme de vampiro ou que gostaria de ter ganho no meu aniversário a discografia remasterizada dos Beatles, baixada da Internet mesmo. E eu não sei o que você quer ganhar de aniversário. Não sei nem se vou ser convidado pro seu aniversário. O tempo passa e as pessoas também, afinal.
É engraçado reacostumar com o fato de que você existe e é mesmo que não tenha alguém afirmando isso pra você o tempo todo. A velha história da árvore que cai e ninguém viu, a árvore realmente caiu?
Sempre foi um problema me acostumar que a resposta é sim acreditando a resposta é não.
E no final eu tiro todo o peso que porventura possa existir dizendo: “mas só devaneios da madrugada”. Porque é assim que eu funciono.
Sábado, Dezembro 12, 2009
Sexta-feira, Dezembro 04, 2009
"and in the end, the love you take is equal to the love you make"
repost - relive - reVolta sem revolta
Sei lá.
Acho que as palavras que eu mais escrevi nesse finado blog foi "sei lá".
E ainda que tranquilo, lá vem mais um:
Sei lá.
E pra voltar um post velho favorito e um post novo realista. Nenhum deles meu, naturalmente.
Sabe, que não soe mal. Mas queria ser menina às vezes. Só pra escrever e sentir.
..........................................
Eu não sei se ele ainda gosta de calda em cima do pudim. Se pára de pedalar pra bicicleta andar sozinha. Se coloca uma colher e meia de açúcar no café. Se corre pro ponto antes que o ônibus saia de lá, ou se deixa o ônibus ir e espera o próximo. Eu não sei se ele gosta de andar descalço no carpete. Se morde a bala, ou se chupa. Se deixa o primeiro botão da camisa aberto, ou se não usa camisa de botão. Eu não sei se ele desviaria o olhar, ou se continuaria olhando. Se ele tivesse ficado por pelo menos mais um pra sempre. Mas hoje eu não sei nem mais quantos palmos meus cobriam o seu rosto.
As pessoas sempre vão, sabe. E você acaba esquecendo. E você acaba descobrindo que dá pra viver sem elas e que vai faltar assunto quando você encontrá-las inesperadamente na fila do caixa eletrônico. Não que não tenha sido bom, não que você deixe de pensar nelas, mas você acaba se acostumando com a ausência das coisas, seja a pipa do seu time que ficou presa na árvore, seja o seu melhor amigo da 2ª série, ou a sua cama antiga, que era bem mais macia que a nova.
E foi assim que aconteceu. Ele pegou o copo d’água dele no balcão e eu o meu. E eu não soube o que dizer.
- Ta tudo bem, sim. (Eu só não sei se você ainda enche as mãos de areia e joga tudo no pé. Então não, não está tudo bem, porque eu descobri que posso esbarrar com a superficialidade com a mesma facilidade de quem abre a boca pra falar. Descobri que não tenho mais vontade de te fazer rir, e pensar que eu achei que te desejaria pra sempre. Não é culpa sua, meu bem, nem minha. Chega uma hora em que a gente não sente nem mais falta, né? Por mais que eu pense, nada vai trazer o que quer que seja de volta, e eu nem me sinto mal por isso, porque nem mais vontade eu sinto. Acho que se eu tivesse que passar a morar numa gaveta eu me acostumaria, assim como me acostumei com esse meu corte de cabelo tosco e com a sua ausência. E, sabe, infelizmente, eu não acho isso ruim.) E com você?
por Marininha
...................................
"não é só dele que eu sinto falta. mas do que eu pretendia ser ao lado dele. e me cansa tanto ter que começar tudo de novo, sabe? falar menos e quando falar ser: filme preferido, matéria em que ia melhor na escola, porque usa relógio na mão direita. eu canso só de pensar. essas pequenas coisas que a gente faz pra estar junto, pra conjugar. e com ele foi tão mais rápido, mais simples. mais igual.
é bom ficar sozinha. eu vejo em um dia o número de amigos que vejo em um mês quando estava com ele. eu faço em um dia o número de coisas que faria, sozinha, em um ano se estivesse com ele. mas eu não tenho pressa, sabe? eu não tenho tanta pressa assim.
e eu achava tão honesto que nos nossos encontros depois que tudo acabou ele não usasse meu perfume preferido. nem sei se era consciente, mas me parecia de uma consideração. que ele não teve em diversas outras atitudes, ah se ele tivesse nas palavras a sensibilidade do olfato.
não ousaria me arrepender. inaugurei uma mulher que não sabia existir em mim. que estranhei, mas da qual me orgulho mais que me envergonho. e que sem jamais ter feito antes o que agora fez, mesmo sem sucesso terminou feliz. eu só queria ter tido a chance de aproveitar as últimas coisas como se soubesse que seriam as últimas. eu não estava preparada pra perder."
por mariana chagas
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Sei lá.
Acho que as palavras que eu mais escrevi nesse finado blog foi "sei lá".
E ainda que tranquilo, lá vem mais um:
Sei lá.
E pra voltar um post velho favorito e um post novo realista. Nenhum deles meu, naturalmente.
Sabe, que não soe mal. Mas queria ser menina às vezes. Só pra escrever e sentir.
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Eu não sei se ele ainda gosta de calda em cima do pudim. Se pára de pedalar pra bicicleta andar sozinha. Se coloca uma colher e meia de açúcar no café. Se corre pro ponto antes que o ônibus saia de lá, ou se deixa o ônibus ir e espera o próximo. Eu não sei se ele gosta de andar descalço no carpete. Se morde a bala, ou se chupa. Se deixa o primeiro botão da camisa aberto, ou se não usa camisa de botão. Eu não sei se ele desviaria o olhar, ou se continuaria olhando. Se ele tivesse ficado por pelo menos mais um pra sempre. Mas hoje eu não sei nem mais quantos palmos meus cobriam o seu rosto.
As pessoas sempre vão, sabe. E você acaba esquecendo. E você acaba descobrindo que dá pra viver sem elas e que vai faltar assunto quando você encontrá-las inesperadamente na fila do caixa eletrônico. Não que não tenha sido bom, não que você deixe de pensar nelas, mas você acaba se acostumando com a ausência das coisas, seja a pipa do seu time que ficou presa na árvore, seja o seu melhor amigo da 2ª série, ou a sua cama antiga, que era bem mais macia que a nova.
E foi assim que aconteceu. Ele pegou o copo d’água dele no balcão e eu o meu. E eu não soube o que dizer.
- Ta tudo bem, sim. (Eu só não sei se você ainda enche as mãos de areia e joga tudo no pé. Então não, não está tudo bem, porque eu descobri que posso esbarrar com a superficialidade com a mesma facilidade de quem abre a boca pra falar. Descobri que não tenho mais vontade de te fazer rir, e pensar que eu achei que te desejaria pra sempre. Não é culpa sua, meu bem, nem minha. Chega uma hora em que a gente não sente nem mais falta, né? Por mais que eu pense, nada vai trazer o que quer que seja de volta, e eu nem me sinto mal por isso, porque nem mais vontade eu sinto. Acho que se eu tivesse que passar a morar numa gaveta eu me acostumaria, assim como me acostumei com esse meu corte de cabelo tosco e com a sua ausência. E, sabe, infelizmente, eu não acho isso ruim.) E com você?
por Marininha
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"não é só dele que eu sinto falta. mas do que eu pretendia ser ao lado dele. e me cansa tanto ter que começar tudo de novo, sabe? falar menos e quando falar ser: filme preferido, matéria em que ia melhor na escola, porque usa relógio na mão direita. eu canso só de pensar. essas pequenas coisas que a gente faz pra estar junto, pra conjugar. e com ele foi tão mais rápido, mais simples. mais igual.
é bom ficar sozinha. eu vejo em um dia o número de amigos que vejo em um mês quando estava com ele. eu faço em um dia o número de coisas que faria, sozinha, em um ano se estivesse com ele. mas eu não tenho pressa, sabe? eu não tenho tanta pressa assim.
e eu achava tão honesto que nos nossos encontros depois que tudo acabou ele não usasse meu perfume preferido. nem sei se era consciente, mas me parecia de uma consideração. que ele não teve em diversas outras atitudes, ah se ele tivesse nas palavras a sensibilidade do olfato.
não ousaria me arrepender. inaugurei uma mulher que não sabia existir em mim. que estranhei, mas da qual me orgulho mais que me envergonho. e que sem jamais ter feito antes o que agora fez, mesmo sem sucesso terminou feliz. eu só queria ter tido a chance de aproveitar as últimas coisas como se soubesse que seriam as últimas. eu não estava preparada pra perder."
por mariana chagas
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